Recibo de sinal: a entrada no papel, o saldo ainda aberto
Recibo de sinal existe para uma coisa: provar que o cliente pagou uma entrada e que o restante ainda não foi quitado. Pintor, eletricista, marceneiro e consultor perdem essa briga quando o PDF diz só “pagamento referente ao serviço”. Seis semanas depois o Pix de 40% vira “já paguei tudo” no grupo da família.
Sinal não é saldo. Sinal não é NFS-e. Sinal não é o orçamento aceito. É o comprovante de uma fatia, com objeto, percentual ou valor, data do crédito e o que falta. Sem esses quatro pontos o extrato do banco não ajuda — o banco mostra que o dinheiro saiu, não mostra que era entrada.
O que o recibo de sinal precisa carregar
- Título explícito: “Recibo de sinal” ou “Recibo de entrada”. Evite “recibo de pagamento” solto.
- Objeto do serviço em uma frase da visita: “pintura interna do apto 304, duas demãos, tinta do cliente”, não “serviço combinado”.
- Valor recebido hoje, em número e por extenso. Se for 40% de R$ 4.800, escreva os dois: “R$ 1.920,00 (mil novecentos e vinte reais), sinal de 40%”.
- Saldo residual em reais, não só em porcentagem. “Faltam R$ 2.880,00” corta discussão.
- Quando o saldo vence: no início da obra, na entrega, em duas parcelas. Sem data o cliente empurra.
- Quem pagou e quem recebeu, com CPF ou CNPJ. Pix de terceiro (cunhado, síndico, sócio) deve nomear o pagador real.
- Cidade e data do crédito — o dia em que o dinheiro entrou, não o dia em que você abriu o gerador.
- Uma linha: “Este recibo não quita o serviço e não é nota fiscal de serviço (NFS-e).”
Sinal, reserva de agenda e cancelamento
Muita gente trata sinal como “reserva de data” sem escrever o que acontece se o cliente desistir. O recibo de sinal não precisa ser contrato de 8 cláusulas, mas precisa de uma frase honesta: se o cancelamento for com X dias, devolve; se for na véspera, o sinal fica como compensação do dia perdido. Sem essa frase, o Pix de volta vira briga e o Pix retido vira reclamação no Procon.
Se você devolveu parte, emite um segundo PDF — recibo de devolução — com o valor devolvido e o número ou a data do sinal original. Apagar o primeiro arquivo e fingir que não houve entrada é o atalho que explode no feriado.
Um recibo por dinheiro que entrou
Sinal e saldo são dois PDFs, mesmo serviço, mesmos nomes. Recibo único “de R$ 4.800” quando só cairam R$ 1.920 ensina o cliente a achar que o total já foi pago. Material comprado à parte não entra no recibo de sinal: ou está no preço do serviço, ou ganha linha própria no orçamento, nunca some no comprovante da entrada.
Não recicle o PDF do cliente de março trocando só o nome. Data igual e valor igual em pessoas diferentes parecem cópia. Não coloque alíquota de ISS, chave de NFS-e nem QR de nota: isso é portal da prefeitura, outro documento, outro momento.
Quando a empresa pede nota da entrada
Pessoa física quase sempre aceita o recibo de sinal em PDF. Empresa, condomínio e órgão público podem exigir NFS-e já no sinal — ou só no saldo. Pergunte antes de receber o Pix. Recibo de sinal não vira nota se você escrever “nota” no título. Se o tomador precisa de documento fiscal, emite no emissor nacional (MEI) ou recusa o serviço nesses termos se ainda for só CPF.
Guarde o PDF do sinal na pasta do mês, junto do comprovante de Pix. Quando o saldo cair, o segundo recibo cita o mesmo objeto e o valor já recebido. Recibo de sinal bem feito não fecha a obra. Só impede que a entrada vire quitação na cabeça de quem pagou.
Se quiser montar no navegador, sem criar conta: o PropostaNaHora faz proposta ou recibo em PDF. Prévia na hora (com marca d'água). PDF limpo por R$ 29,90 uma vez.
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Não substitui nota fiscal, contador nem advogado. Recibo de sinal não é NFS-e.