Orçamento de eletricista sem chutar o que a parede esconde
Orçamento de eletricista não é “olha o quadro e fala um número”. É a lista de pontos, o que acontece no disjuntor e o que você ainda não viu atrás do reboco. Cliente de casa antiga pede “só trocar as tomadas” e descobre alumínio, emenda no forro e carga de ar-condicionado no mesmo circuito da iluminação. O PDF que omitiu isso vira briga no segundo dia.
Rápido vale. Chute de metro de cabo não vale. Se a alvenaria não foi aberta, o orçamento honesto tem etapa visível e gatilho para o que aparecer.
Unidades que o cliente entende
- Ponto: tomada, interruptor, luminária, TV, ar-condicionado. Quantidade no papel, não “os pontos da sala”.
- Circuito novo versus aproveitamento do existente. Aproveitar fio velho é risco seu se você não escreveu a ressalva.
- Quadro: troca de disjuntor, DR, barramento, identificação. “Dar uma olhada no quadro” não é serviço cobrado nem incluso.
- Material de quem. Cabo, caixa, disjuntor e luminária mudam o total pela metade. Se o cliente compra, escreva bitola e marca mínima — cabo 1,5 mm onde pede 2,5 mm não é economia, é retrabalho.
- Abertura e fechamento de parede, se for o caso. Eletricista que “só passa o fio” e deixa o buraco sem aviso perde a avaliação, não o pedreiro.
- Deslocamento e horário: condomínio que só libera sábado, casa em condomínio fechado, pedágio. Diária de espera no hall não se improvisa no sábado.
O que o orçamento de eletricista não fecha no escuro
Não fecha bitola de toda a casa sem abrir caixa de passagem. Não fecha aterramento se o padrão da rua não foi visto. Não fecha troca de relógio ou padrão de entrada — isso é concessionária e, muitas vezes, outro profissional. Não promete “vai cair o consumo” como se fosse o objeto do serviço: o objeto é o circuito, não a conta de luz.
Diagnóstico de curto intermitente é uma linha com preço de visita técnica. O reparo é outra. Misturar os dois no mesmo número ensina o cliente a achar que o conserto já estava pago quando você só achou o cheiro de queimado.
Segurança, NR e o que não cabe no PDF amador
Trabalho energizado, altura, quadro de prumada de edifício e área molhada pedem prática e, em muitos casos, documentação que um gerador de orçamento não emite. O PDF comercial não é ART, não é laudo e não é projeto elétrico assinado. Se o serviço exige responsável técnico, o orçamento avisa que o fechamento depende disso — ou você recusa o recorte.
Pessoa física quer o PDF para mandar no grupo. Empresa e condomínio vão pedir nota depois. Orçamento não é recibo e recibo não é NFS-e. Três momentos: oferta, dinheiro que entrou, documento da prefeitura se o tomador exigir.
Do apontamento na visita ao arquivo de uma página
Anota os pontos na frente do cliente, soma material e mão de obra em blocos separados se o material for seu, coloca validade curta (cobre e disjuntor sobem), gera a página no mesmo expediente. Se no meio do serviço aparecer conduíte entupido ou carga extra, para e manda um aditivo — um PDF novo, não um áudio “deu uma alteradinha”.
Guarde o orçamento que ele aceitou. O “pode fazer” no Zap amarra no arquivo datado, não na memória da bitola. Orçamento de eletricista bem feito não adivinha a parede. Ele cobra o que deu para ver e escreve o que ainda pode aparecer.
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Não substitui nota fiscal, laudo, ART, contador nem advogado. Orçamento não é NFS-e.